Parque de São Roque – Porto. Uma surpresa bem recebida.

Sem querer, ou por colocação de informação errada no GPS, fomos parar à Quinta do Palacete Ramos Pinto ou à Casa de São Roque.

Não podíamos sair do concelho, mas o Porto em área é pequeno e as opções de lugares menos procurados e diferentes, começam a ser poucas. Afinal queríamos ir ao Parque Oriental da Cidade do Porto, onde também já tínhamos estado e que recomendo também. Mas ou pelo destino, ou pelos dados errados colocados no GPS, fomos para o Parque de S. Roque .

Entramos pela entrada principal localizada a norte.

Foi fácil estacionar. Hoje em dia privilegiamos sair e usufruir dos espaços que existem ao ar livre, em horários menos movimentados. Só esta questão do horário faz a diferença.

Logo à entrada, sente-se o cheiro intenso a eucalipto e deslumbra-nos pela visão inesperada e imponente destas árvores.

Árvores enormes, com centenas de anos, ocupam a área um pouco por todo o lado até aonde a vista alcança. Consegue-se perceber dali, que o espaço continua em declive. Do lado direito existe um parque de diversões para miúdos, que fez logo a alegria dos nossos. Óbviamente, não queriam sair. Mas a urgência dos adultos era outra. Conhecer o Parque, respirar fundo no meio das árvores e sentir aquela natureza toda a ponto de se conseguir levar alguma para casa e levar os pequenos connosco, para isso tudo também. Não muito convencidos e com a promessa de voltarmos àquelas diversões, lá se deixaram ir.

Descemos por um caminho empedrado que ladeava a área pelo lado direito e as descobertas de espaços e pormenores incríveis não se fizeram esperar.

Jardim recuperado recentemente, remete ao estilo romântico oitocentista. Foi construído adaptado ao declive e aos socalcos, como o são a maioria dos campos e montes do Douro litoral. Então as surpresas, para quem não faz ideia onde está, nem o que o espaço promete, acontecem a cada curva que se faz do percurso sempre a descer.

De um lado, um Lago com repuxo no meio de um relvado. Bom para piqueniques, brincadeiras ou só deitar e ver as nuvens.

Mais abaixo, um labirinto de arbustos muito bem cuidado e perfeito para as brincadeiras dos miúdos. Confesso que foi o que mais surpreendeu e encantou. Talvez pela ligação á Mitologia e à lenda do Minotauro, que sempre me fascinou. O João e a Beatriz lá se perderam e encontraram. A altura dos buxos, espécie destes arbustos, têm a altura perfeita para que os miúdos não consigam perceber aonde estão e se deslumbrem com isso, mas a ideal para que os adultos não os percam de vista.

Labirinto perfeito.

Continuamos mais para abaixo, do lado esquerdo e entramos noutro espaço. Logo á entrada, bem alto um Caramanchão coberto de glicínias já todas floridas, não fosse a época delas, fascina pela dimensão e opulência. De um tom alilazado muito ténue, fazem uma sombra cheirosa e magnifica para quem por baixo quiser repousar.

Caramanchão de Glicínias

Em frente, mais uma área verde a convidar a uma leitura de livro ou então para as brincadeiras de crianças, com imensas cameleiras, também elas já todas floridas, com as suas camélias de várias cores. Uma mistura de cores incrível. Rodas de flores coloridas, caídas debaixo das árvores tornam o sitio ainda mais encantador. Flores tão perfeitas, impossível não lhes pegar e fazer alguma coisa com elas.

O chão coberto de Camélias convida a meter mãos à obra e a criar algo igualmente bonito.

A partir deste jardim, mais abaixo, acesso ainda a uma gruta (talvez dos amores) com nichos e recantos especiais, com cascata e um pequeno lago com repuxo.

A casa, ou Palacete Ramos Pinto dá por terminada a exploração da área. Uma casa também recentemente recuperada pela câmara, é neste momento um Polo Cultural, dedicado á arte contemporânea.

Não a visitamos, pois ainda se encontrava fechada. Abriu portas a 5 de Abril. Mas a fachada, tanto como as traseiras, são incríveis, nomeadamente o jardim de inverno, que mais uma vez só me remete para um cenário de leitura de um bom livro ou uma boa sesta.

Jardim de Inverno.

Não deixo de imaginar como seria na altura em que foi construído. Quem ali passaria as tardes, quem seriam as pessoas que percorreriam aqueles caminhos? Se se encostariam a uma árvore a ler um bom livro, a escrever, a namoriscar ou só a contemplar aquela beleza, a sentir na face a brisa fresca vinda do lado do Mar numa tarde de Verão.

Deixo-me pensar que todos estes recantos têm a sua história e as suas memórias entranhadas em si e que alguns deles suspiram, quem sabe, algum segredo.

Afinal os miúdos divertiram-se imenso. Zonas tão diferentes e cheias de surpresas e espaço para inventarem brincadeiras com o que surgia.

Visitem e contem aqui o que mais gostaram.

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