Ainda bem que correu mal e que foi filmado.

Se não tivesse um desfecho grave e se não tivesse sido filmado, não tinha o impacto que teve e não valeria de nada. Ainda bem que aconteceu e as pessoas falam. De novo.

Falo do menino atropelado depois de ter fugido e uma “amiga” agressora.

É impressionante como o dia da criança está a chegar, mas os direitos das crianças ainda não estão salvaguardados. Ainda continuamos com as nossas crianças à mercê de situações como esta. Mal preparadas para saber reagir, assim como mal formadas a ponto de fazerem este tipo de coisas com normalidade.

E que não se culpe à boca cheia a miúda. Nem os pais. Porque, também eles acham que é normal. Porque alguns comportamentos ainda são considerados normais. Este só não o foi e não passou em branco, porque foi filmado, o miúdo foi atropelado e nós vimos.

Provavelmente quando vêm isto, revolta-vos logo as entranhas, certo? Pensam: “E se fosse o meu filho?” Igualmente pensarão nele, na situação de agressor ou o de agredido. Assim como nos relembramos também, quando nos aconteceu a nós, quando éramos miúdos ou até mesmo por essa vida fora, em que de alguma forma deixamos acontecer. Também nós próprios ja estivemos de um dos lados. Não digam que nunca estiveram num grupo de amigos, a gozarem fortemente outro? “Ahh, está tudo bem, somos amigos, estamos a rir mas ele entende e até entra na brincadeira” – dizem. Será que sim? Será que, quando este amigo está finalmente sozinho, não gostaria antes de ser o herói da história? De estar sentado no pedestal imaginário que esse gozo dá ao outro e o coloca do lado “certo”? E estas pequenas coisas não vão acontecendo um pouco por cada núcleo de pessoas pelo que vamos passando? Com maior ou menor gravidade? No trabalho, nos grupinhos da escola, e nos ditos grupos de amigos?

E isto passa-se todos os dias. Todos os dias, há um “FORTE” (certamente cheio de fragilidades) e um “FRACO”, que não sabe como reagir e assim deixa perpetuar estes comportamentos. Por isso isto é um problema que existe e não é só um problema das escolas, mas sim de sociedade.

Não, não é normal. Não é!

Gente que tem crianças a seus cargos, aproximem-se e falem com elas. Falem disto e percebam de que lado da historia eles estão e ajudem-os.

Quem dera que nada disto tivesse que acontecer. Espero que este menino esteja bem e a receber ajuda apropriada. Este menino, assim como os pais dele, a menina, os pais da menina, os amiguinhos da escola e todos os que acharem que precisam. Mexam-se e não deixem que estas crianças voltem a repetir a história, mais tarde em adultos e permitam que estas coisas aconteçam com esta normalidade, geração após geração.